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Mundo ► Ciência

 
03-02-2017 13:00
Marte
Meteorito permite obter informação da atividade vulcânica em Marte

​Em 2012 foi encontrado na Argélia um incomum meteorito que permitiu aos cientistas obter informação acerca da atividade vulcânica em Marte, sendo esta bastante distinta da que ocorre na Terra.

O meteorito, rotulado de Northwest Africa (NWA) 7635 por uma equipa internacional de cientistas, tem aproximadamente 200g e ajudou a concluir que, em algum momento da sua evolução de 4,5 mil milhões de anos, o planeta Marte teve um único vulcão que se manteve em erupção continuamente por mais de 2 mil milhões de anos.

De acordo com a pesquisa publicada na revista Science Advances, e Marc Caffee, professor de física e astronomia da Universidade de Purdue, nunca havia sido visto nada semelhante na Terra.

Até ao momento, foram identificados mais de 100 meteoritos em coleções ao redor do mundo, como sendo meteoritos marcianos. A maioria destes meteoritos é encontrada na Antártica ou no norte de África. Mais de mil meteoritos por ano são encontrados entre a Antártica e outros desertos, no entanto, apenas alguns são de interesse, nomeadamente os provenientes de Marte e da Lua.

A menor atração gravítica de Marte, combinada com a sua fina atmosfera, torna mais fácil a libertação de fragmentos libertados durante os impactos da superfície do planeta. Antes de atingir a Terra, estes fragmentos de rochas orbitam no espaço por centenas de milhar, ou mesmo milhões de anos. A passagem próxima a um planeta, ou alguma perturbação na sua órbita, faz com que ao longo dos próximos milhares de anos alguns destes fragmentos entrem num trajeto de colisão com o nosso planeta. Ao chegar à Terra, iniciam um processo de degradação ao longo de dezenas de milhares de anos, tornando-se irreconhecíveis como rochas extraterrestres.

Dos 100 meteoritos encontrados, apenas 30 foram analisados por Caffee no Laboratório de Medição de Isótopos Raros de Purdue (PRIME), permitindo chegar à conclusão que estas rochas tendem a cair em grupos etários, indicando que cada grupo provavelmente foi ejetado da superfície de Marte por eventos distintos. 

Da investigação, Caffee concluiu que o NWA 7635 pertence a um grupo de 11 meteoritos que estiveram expostos aos raios cósmicos durante 1,1 milhões de anos, significando que foram retirados ao mesmo tempo. Embora os 10 outros meteoritos no grupo tivessem aproximadamente 500 milhões de anos, o NWA 7635 foi datado de 2,4 mil milhões de anos. Isto significa que durante 2 mil milhões de anos existiu uma espécie de pluma de magma constante num local da superfície de Marte.

Marte é conhecido pelos vulcões mais magníficos do nosso sistema solar. Localizado em Marte, o Olympus Mons, um vulcão escudo e o maior vulcão do sistema solar, com cerca de 27 km de altura e com uma base do tamanho do Arizona. Caffee avança que continua por esclarecer se o NWA 7635 é proveniente do Olympus Mons ou de outro local.

Os vulcões marcianos podem crescer a proporções muito grandes, porque, ao contrário da Terra, não estão sujeitos à cinemática das placas tectónicas. Assim, um vulcão, como o que nasceu e produziu o meteorito NWA 7635, pode estar em atividade por muitos milhões de anos.



Fontes


Daily News Greensburg

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